quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Escalada como Esporte Olímpico, Temos mesmo o que comemorar?

Escaladores de todo o mundo comemoraram a divulgação de que a Escalada Esportiva passou a ser considerada um esporte Olímpico e já vai ser disputada nas Olimpíadas de Tokyo em 2020 . Aqui no Brasil não foi diferente, todas as mídias especializadas em escalada e atividades outdoors deram enfase no assunto, viralizando nas redes sociais. Até o Globo Esporte do canal G1 noticiou esse grande fato.

Campeonato de escalada esportiva, estilo boulder.

Realmente é algo desejado há muitos anos pelos atletas da escalada esportiva, muitos se dedicam para o esporte, tem patrocínios e isso poderá impulsionar essas marcas com o estimulo a entrada de novos atletas, gerando trabalho e renda desde fabricantes até academias e ginásios de escalada. Talvez veremos o surgimento de mais preparadores físicos para a escalada esportiva. Tudo isso é muito bom.



Mas temos mesmo o que comemorar?... Vamos ver?

Em junho passado também foi noticia nos meios de comunicação outdoor e escalada do Brasil o fechamento da Pedra da Divisa em São Bento do Sapucaí, um dos principais points de escalada esportiva do país. Segundo informações e relatos da comunidade local, nós, escaladores, não estávamos respeitando as regras de acesso do local. E foi por não respeitar uma regra básica (não acender cigarros) fez com que o senhor José Dimas proibisse o acesso ao local. Veja o vídeo com a declaração do Sr. José Dimas:



Ainda em junho, colegas escaladores publicaram nas redes sociais uma série de imagens feitas durante uma escalada do Pico das Agulhas Negras no Parque Nacional do Itatiaia. As imagens (aterrorizantes) mostravam o total despreparo dos guias e condutores que nesta época levam centenas de pessoas montanha acima, sem ao menos sequer saber dar um nó em uma corda. Se este guia (alguns registrados no parque) com todo seu "preparo" está subindo nossas montanhas, imagine quais os valores que ele está transferindo para seus clientes: Respeito, Ética, Responsabilidade, Cuidados com o Meio Ambiente, etc, será que esses grupos tomaram ciência do que é isso?

Incêndio criminoso: Pico dos Marins arde em chamas.
Para não me estender muito, no dia 30 de julho o Pico do Marins ardeu em chamas por inconsequência de um pseudo montanhista de um grupo que disparou um sinalizador na montanha, causando uma devastação monstruosa para aquele habitat. Quilômetros de uma vegetação frágil queimou, sem contar toda a fauna que pode ter sido comprometida. É sabido que este grupo estava sendo conduzido por um pseudo "guia" que, como no Itatiaia, não tem preparo nenhum sequer para levar o cachorro para passear na rua, quem dirá levar uma pessoa até o cume de uma montanha.

Pico dos Marins após incêndio.
Infelizmente falta uma base concisa na formação dos escaladores e montanhistas em nosso país e fatos como os que relatei acima ainda vão ser vistos com frequência em nossas montanhas e points de escalada. Estes foram apenas 3 exemplos disso, mas em nosso país há muitos outros.

Então, eu novamente pergunto: Realmente temos o que comemorar?




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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Vivência Outdoor, um evento para trocar experiências


O Vivência Outdoor ocorreu nos dias 09 e 10 de julho no Camping Valle das Águas em Socorro/SP e foi um evento voltado para os amantes das atividades ao ar livre, como trekkings, campismo, cicloturismo e, também escalada.

O evento foi muito dinâmico com palestras e oficinas variadas, como: apresentação de equipamentos, mínimo impacto, viagem de bike e, técnicas básicas de escalada. Sim, mesmo depois de ver que parecia tudo já definido, encaminhei um e-mail para a organização do evento e me ofereci para ministrar uma oficina que falava de escalada, daí surgiu a Oficina de Técnicas Básicas de Escalada para Trekking.

Os Protagonistas do evento: Os Participantes e Organizadores
Foto: Elias Maio

Depois de uma análise da organização do evento, fui aceito para fazer parte de um seleto time de especialista do segmento outdoor. São pessoas que doam parte do seu tempo para disponibilizar informações para aqueles que estão iniciando, mas também muitas dicas interessantes para aqueles que já estão na ativa a mais tempo.

Oficina de Técnicas Básicas de Escalada para Trekking
Foto: Suzi Mendes

Meu objetivo não era tornar ninguém apto a escalar um Dedo de Deus, como o tempo era pouco eu precisava pelo menos tocar aquelas pessoas da importância de algumas técnicas. Meu objetivo foi mostrar para os participantes, que em alguns trekkings há obstáculos maiores para transpor, como é o caso do "lance do cavalinho" na Pedra do Sino na Serra dos Órgãos, um trecho difícil para os menos experientes e muito exposto a uma queda. Nesses locais uma simples corda pode garantir uma movimentação segura para os trekkers.

Oficina de Técnicas Básicas de Escalada para Trekking
Foto: Suzi Mendes

Desta forma, pude oferecer apenas uma conscientização dos riscos e apresentar alguns equipamentos, nós e técnicas para fazer a segurança. Na oficina pude demostrar para os participantes do Vivência Outdoor quatro tipos de nós simples de usar, bem como tirar algumas dúvidas que algumas pessoas já possuíam, corrigindo assim, alguns conceitos errôneos que surgem quando uma pessoa não fez por exemplo um Curso Básico de Escalada em Rocha.

Técnicas de Mínimo Impacto - Foto: Elias Maio

Para quem não participou do Vivência Outdoor terá uma segunda chance, o pessoal da organização já avisou que teremos uma segunda edição no ano que vem, com outros assuntos a respeito de trekking, ciclismo, equipamentos e, quem sabe, uma Oficina de Nós com um pouco mais de tempo, onde as pessoas poderão aprender melhor como usar essa "ferramenta" de segurança tão importantes na escalada. 

Já estou na torcida pelo convite e seu eu fosse você não ficaria fora desse evento de forma alguma!

Técnicas de Mínimo Impacto - Como fazer cocô no mato?
Foto: Elias Maio

Noite incrível em Socorro/SP
Foto: Mario Nery

O Olhar de Elias Maio
Evandro A. Duarte veste HARD ADVENTURE, fabricante de roupas técnicas para praticantes de atividades ao ar livre.

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